Solenidade marca entrega de Título de Cidadã Petrolinense e Medalha Dom Malan a Rosa Amorim

Homenagem reconhece trajetória da deputada e sua atuação em Petrolina, com destaque para ações na área social e destinação de emendas ao município

A Câmara Municipal de Petrolina realizou, no último dia 30 de março, a entrega do Título de Cidadã Petrolinense e da Medalha de Honra ao Mérito Legislativo Dom Malan à deputada estadual Rosa Amorim (PT). A solenidade marcou o reconhecimento institucional à trajetória da parlamentar e à sua atuação política voltada às pautas sociais.

A homenagem, proposta pelo vereador Professor Gilmar Santos (PT), destacou a atuação de Rosa na defesa da democracia, dos direitos do povo e de agendas como a reforma agrária, a agricultura familiar e o combate à fome.

Durante a cerimônia, a deputada ressaltou que o reconhecimento não é individual, mas fruto da construção coletiva dos movimentos sociais que integram sua trajetória política. Também destacou o trabalho desenvolvido em Petrolina, tanto na zona rural quanto na cidade, incluindo a destinação de emendas parlamentares, especialmente na área da saúde, com apoio ao Hospital Dom Malan.

Em seu discurso, Rosa enfatizou a importância da parceria com lideranças locais e reafirmou o compromisso de seguir contribuindo com o desenvolvimento do município e com a melhoria da qualidade de vida da população.

O vereador Professor Gilmar, autor da proposição, reforçou que a homenagem representa o reconhecimento a uma trajetória construída ao lado do povo. Segundo ele, a atuação da parlamentar dialoga diretamente com as necessidades de Petrolina, sobretudo nas áreas sociais e no fortalecimento da agricultura familiar.

O evento contou com a presença de representantes do senador Humberto Costa (PT-PE), da superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), de militantes do Partido dos Trabalhadores (PT), incluindo integrantes do diretório de Petrolina, além de representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), coletivos do movimento estudantil, trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cultura, lideranças de povos de terreiro e entidades que atuam na defesa da população LGBTQIAPN+.

Natural de Caruaru, Rosa Amorim é deputada estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e tem sua trajetória marcada pela militância nos movimentos sociais. Criada no Assentamento Normandia, no Agreste pernambucano, iniciou sua atuação ainda jovem no Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST).

Ao longo da vida pública, também teve atuação no movimento estudantil e cultural, sendo dirigente do Levante Popular da Juventude e diretora de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE). Na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), se destaca por pautas como combate à fome, igualdade racial, direitos humanos, agricultura e cultura.

A solenidade marcou um momento de reconhecimento e valorização de uma trajetória política ligada às lutas sociais e à construção de políticas públicas voltadas à população.

Por Aléxia Viana
Edição: Victória Santana

Do campo à cidade: Professor Gilmar e Rosa Amorim lançam pré-candidaturas em noite marcada por mobilização popular em Petrolina

Ato reuniu militância, lideranças do campo e da cidade e integrou agendas com acampamentos, universidades, comunidades tradicionais e setores organizados da sociedade

A segunda-feira (30) foi de agenda intensa e mobilização política em Petrolina (PE). O vereador Professor Gilmar Santos (PT) e a deputada estadual Rosa Amorim (PT) lançaram suas pré-candidaturas a deputado estadual e deputada federal por Pernambuco, respectivamente, em um ato que reuniu trabalhadores e trabalhadoras, lideranças populares e organizações com atuação direta nas lutas sociais do estado.

Realizado no auditório Ilha do Fogo, no Hotel do Grande Rio, o encontro contou com forte presença de base social organizada. Integraram o evento militantes do Partido dos Trabalhadores (PT), representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), coletivos do movimento estudantil, trabalhadores/as do campo, trabalhadores/as da cultura, lideranças de povos de terreiro e entidades que atuam na defesa da população LGBTQIAPN+. Também participaram o vice-prefeito de Juazeiro Tiano Félix (PT/BA), representantes do senador Humberto Costa (PT/PE), da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e organizações que atuam na garantia de direitos e na organização popular no Nordeste.

O lançamento fez parte de uma agenda histórica construída ao longo dos dias anteriores. Ao lado de Gilmar, Rosa conheceu a dimensão histórica e cultural da Ilha do Massangano, em Petrolina, visitou acampamentos do MST na região e ocupações de luta por moradia; esteve em universidades e no Instituto Federal, debatendo programas do Governo Federal e a valorização da educação pública; e participou de encontros com organizações que atuam com juventude, cultura e direitos humanos.

Durante sua passagem por Petrolina, a deputada também foi homenageada com o Título de Cidadã Petrolinense e Medalha de Honra ao Mérito Dom Malan, maior honraria da casa, concedidos pela Câmara Municipal, por proposição do vereador Professor Gilmar Santos. A solenidade reuniu o plenário com integrantes do MST, além de militantes do PT, movimento estudantil, trabalhadores/as e organizações comprometidas com a defesa de direitos no município.

No ato de lançamento, esse conjunto de lutas e trajetórias foi traduzido nas falas dos pré-candidatos. Ao apresentar sua pré-candidatura, Gilmar destacou a memória histórica e as lutas populares. “Estou aqui para dar cumprimento a cada indígena que foi executado pelo sistema de colonização, para representar o sentimento de cada homem e de cada mulher africana escravizada e para defender cada camponês e a memória daqueles que foram expulsos de suas terras. Também estou aqui para representar a juventude negra que é assassinada nas periferias; as comunidades de terreiros, que seguem sendo atacadas pela intolerância religiosa; e as mães de crianças com neurodivergências que precisam de acolhimento e dignidade”, ressaltou.

Professor de História, criado entre as feiras das periferias de Petrolina e as pastorais sociais, Gilmar conectou sua própria caminhada às lutas que defende, reforçando sua pré-candidatura como parte de um projeto coletivo pautado na vivência em comunidade, nos espaços de organização popular na luta por justiça social em Pernambuco.

A deputada Rosa Amorim ressaltou o caráter coletivo dessa construção política e a centralidade das lutas do campo e da cidade. “A gente se levanta e afirma que a nossa luta é por justiça social. Eu nunca falo enquanto Rosa. Nós somos sujeitos e sujeitas de uma luta coletiva”, enfatizou.

Criada no Assentamento Normandia, fruto da luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Rosa relembrou a infância entre marchas e ocupações que garantiram terra para milhares de famílias em Pernambuco, e destacou que outras 20 mil ainda aguardam reforma agrária. Ao defender a ocupação dos espaços institucionais, afirmou: “Se nós ousamos ocupar esses espaços que sempre nos foram negados, nós vamos mudar a fotografia do poder nesse país”.

Ao se projetar para o cenário nacional, a deputada destacou a necessidade de fortalecer uma representação política comprometida com o povo e com o enfrentamento às desigualdades na Assembleia Legislativa de Pernambuco, indicando a candidatura de Gilmar como um passo importante nesse caminho. Além disso, Rosa reforçou o apoio à reeleição do senador Humberto Costa, em Pernambuco, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A sintonia entre as pré-candidaturas também se expressa na construção de políticas públicas concretas em ambos os mandatos. Em Petrolina, Professor Gilmar criou e aprovou o primeiro Estatuto de Promoção da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa em Pernambuco. Na Assembleia Legislativa, Rosa Amorim deu sequência a essa agenda ao criar e aprovar o Estatuto em nível estadual, ampliando o alcance dessas políticas para todo o estado. Além disso, a dupla aprova leis voltadas à promoção da cultura, à defesa do meio ambiente e à garantia de direitos das mulheres e de populações sociovulnerabilizadas.

No dia seguinte ao lançamento, a agenda de Gilmar e Rosa seguiu, em visitas ao IF Sertão Rural e à Universidade de Pernambuco (UPE), conhecendo instalações e participando de rodas de conversa com professores e estudantes. Também foram até o novo acampamento Vermelhos (MST), em Lagoa Grande (PE), conhecer e ouvir as famílias. Ao final do dia, participaram de roda de conversa com lideranças femininas de terreiros nas periferias, debatendo resistência e direitos em um Brasil marcado por racismo e misoginia. 

Por Glícia Barbosa
Edição: Victória Santana
ASCOM Mandato Coletivo

Professor Gilmar e Rosa Amorim lançam pré-candidaturas em Petrolina unindo forças do campo e da cidade

Dobradinha reúne liderança do Sertão e atuação do MST em defesa da reforma agrária, agricultura familiar e direitos das periferias

O vereador Professor Gilmar Santos (PT) e a deputada estadual Rosa Amorim (PT) lançam, na próxima segunda-feira (30), às 19h30, no Hotel do Grande Rio, em Petrolina, suas pré-candidaturas a Deputado Estadual e Deputada Federal. O ato marca a construção de uma dobradinha política que busca fortalecer a representação das lutas populares no Sertão de Pernambuco, conectando pautas do campo e da cidade.

Em seu terceiro mandato na Câmara Municipal, Professor Gilmar Santos tem se consolidado como uma das principais vozes das periferias de Petrolina. Com trajetória construída junto aos movimentos sociais e às bases populares, o parlamentar atua na defesa de direitos como saúde, educação, moradia, juventude e direitos humanos, além de exercer papel ativo de fiscalização e defesa da democracia no município.

Ao mesmo tempo, sua atuação se estende ao campo, com presença em ocupações e assentamentos rurais, onde defende os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras sem terra, a reforma agrária e o fortalecimento da agricultura familiar. Professor de História e ex-feirante, Gilmar construiu sua trajetória a partir das lutas populares e pastorais sociais, consolidando sua identidade como representante “do campo e da cidade”.

Entre suas iniciativas, está a criação do Estatuto da Igualdade Racial de Petrolina, tornando o município o primeiro de Pernambuco a instituir uma legislação específica de combate ao racismo e promoção da igualdade.

A pré-candidatura de Rosa Amorim fortalece esse projeto político em nível federal. Deputada estadual em primeiro mandato, ela tem origem no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e integra a primeira geração de assentados da reforma agrária no estado. Nascida e criada no Assentamento Normandia, em Caruaru, construiu sua trajetória na militância social e no movimento estudantil.

Mesmo não sendo de Petrolina, Rosa tem ampliado sua atuação no Sertão, especialmente na defesa das famílias do campo. Um dos marcos recentes dessa atuação foi a intermediação para a criação do Assentamento Soberania Popular, na zona rural do município, oficializado em 2025. A área, antes ociosa e pertencente à CODEVASF, concedida à Embrapa, foi destinada à reforma agrária após dois anos de ocupação e hoje beneficia cerca de 100 famílias em uma área de 600 hectares .

A parlamentar também tem atuado em articulações para o fortalecimento do INCRA, da regularização fundiária e de políticas voltadas à agricultura familiar, além de pautas como combate à fome, igualdade racial, cultura, juventude e direitos das populações historicamente vulnerabilizadas, a exemplo da população LGBTQIAPN+..

A construção conjunta das pré-candidaturas aponta para uma estratégia de ampliação da presença política das pautas populares em Pernambuco. Ao unir a atuação nas periferias urbanas com as lutas do campo, Professor Gilmar Santos e Rosa Amorim buscam consolidar um projeto que represente, de forma mais ampla, trabalhadores e trabalhadoras do Sertão, aliados ao Presidente Lula.

O evento desta segunda-feira marca o início dessa articulação, que deve ganhar força ao longo do período eleitoral.

Por Aléxia Viana
Edição: Victória Santana
ASCOM Mandato Coletivo

Após aprovação, Entrega de Título de Cidadã Petrolinense e Medalha Dom Malan para Rosa Amorim já tem data marcada

Solenidade acontece na próxima segunda-feira (30), na Câmara Municipal de Petrolina, marcando o reconhecimento à sua atuação política por Petrolina e Pernambuco

A Câmara Municipal de Petrolina aprovou a concessão do Título de Cidadã Petrolinense e da Medalha de Honra ao Mérito Legislativo Dom Malan à Deputada Estadual Rosa Amorim. A entrega das honrarias já tem data marcada: será realizada na próxima segunda-feira, dia 30 de março, às 15h, na sede do Legislativo municipal.

A homenagem, proposta pelo vereador Professor Gilmar, reconhece a trajetória de Rosa na defesa da democracia, dos direitos do povo e das pautas sociais, com destaque para a luta pela reforma agrária, fortalecimento da agricultura familiar e combate às desigualdades. A iniciativa também leva em consideração sua contribuição com o município de Petrolina, por meio da destinação de emendas parlamentares, especialmente na área da saúde, com apoio ao Hospital Dom Malan. Conforme o projeto aprovado, a honraria simboliza o reconhecimento pelos relevantes serviços prestados à sociedade.

Rosa Amorim, 29 anos, é deputada estadual por Pernambuco, natural de Caruaru e filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT). Mulher negra e lésbica, tem atuação política voltada ao enfrentamento da fome, à defesa da população negra, da comunidade LGBTQIAPN+, da agricultura familiar, da cultura popular e dos direitos das mulheres.

Sua trajetória tem origem no Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), onde cresceu no Assentamento Normandia, no Agreste pernambucano. Filha de militantes do movimento, iniciou desde cedo sua vivência nas lutas sociais, acompanhando mobilizações e processos organizativos.

Ao longo da juventude, também se envolveu com a cena cultural e com o movimento estudantil, durante sua formação em Teatro pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Nesse período, integrou o Levante Popular da Juventude e exerceu a função de diretora de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), tem se destacado pela atuação parlamentar, especialmente na pauta do combate à fome e à insegurança alimentar. Preside a frente temática sobre o tema, é autora do Estatuto da Igualdade Racial de Pernambuco e participa de comissões ligadas à agricultura, direitos humanos, educação e cultura.

A solenidade de entrega das honrarias deve reunir lideranças políticas, movimentos sociais e a população em geral, em um momento de reconhecimento à trajetória de luta e contribuição da parlamentar para o estado de Pernambuco e, agora, para Petrolina.

Por Aléxia Viana
Edição: Victória Santana
ASCOM Mandato Coletivo

“Vá em frente e defenda bem o nosso Pernambuco”, disse Lula ao Professor Gilmar durante o 14.º Encontro Nacional do MST em Salvador

Vereador de Petrolina esteve ao lado de lideranças do MST, dialogou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros do governo federal, reafirmando sua pré-candidatura a deputado estadual em defesa da reforma agrária e da justiça social

Foto: Ricardo Stuckert


O vereador de Petrolina e pré-candidato a deputado estadual, Professor Gilmar Santos, participou durante três dias do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado de 19 a 23 de janeiro em Salvador. O evento reuniu cerca de 3 mil militantes de todo o país e foi marcado por intensos debates sobre reforma agrária, agroecologia, soberania alimentar, justiça social e os rumos do Brasil no próximo período.

O encontro culminou em um grande ato político com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reafirmou seu compromisso histórico com a reforma agrária, com os movimentos populares e com a construção de um projeto de país voltado para os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade. Em sua fala, Lula destacou a importância da organização popular, da luta por terra, comida saudável e dignidade, além de reforçar a necessidade de manter o Brasil no caminho da democracia, da soberania e da justiça social.

Durante o Encontro, Professor Gilmar esteve ao lado de diversas lideranças políticas e sociais, como a deputada estadual Rosa Amorim, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, além de deputados federais, estaduais e pré-candidatos da base do governo Lula que estarão juntos na construção do projeto político para as eleições de 2026.

Gilmar também teve a oportunidade de dialogar diretamente com o presidente Lula, momento em que reafirmou sua pré-candidatura a deputado estadual em Pernambuco, colocando seu nome à disposição para fortalecer a bancada comprometida com a reforma agrária, os direitos humanos, o combate às desigualdades e a defesa das periferias e do povo trabalhador. Ao saber que o Professor estava no terceiro mandato de vereador pelo PT de Petrolina, o Presidente o incentivou a candidatura estadual: “Vá em frente e defenda bem nosso Pernambuco”.

“A participação no Encontro Nacional do MST reafirma nosso compromisso com a luta por um Brasil que enfrente desigualdades históricas. Saímos desse encontro ainda mais motivados para disputar 2026, principalmente por receber esse incentivo do presidente Lula, que acredita na nossa candidatura a deputado estadual por Pernambuco, onde temos a missão de fortalecer esse projeto e garantir sua reeleição”, destacou o vereador.

O 14º Encontro Nacional do MST é uma das principais instâncias de formulação política do movimento e não acontecia com essa dimensão desde 2009. Além dos debates internos, o evento reforçou a articulação entre movimentos sociais e forças políticas progressistas, apontando caminhos para a retomada e o avanço das políticas públicas no campo e na cidade.

A presença do Professor Gilmar no Encontro reforça sua trajetória de diálogo permanente com os movimentos populares e sua atuação política alinhada ao projeto liderado pelo presidente Lula, em defesa da democracia, da soberania nacional e de um Brasil mais justo e igualitário.

Por Victória Santana
ASCOM Mandato Coletivo

Justiça suspende reintegração de posse do Centro Paulo Freire, em Caruaru (PE)

Decisão que impede o despejo do espaço de formação foi publicada na noite de terça-feira (15)

O Centro de Formação Paulo Freire está há 20 anos sob gestão da associação de assentados de Normandia / Foto: Arquivo MST

O pedido de reintegração de posse do Centro Paulo Freire, maior espaço de formação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Nordeste, foi suspenso na noite desta terça-feira (15) pelo desembargador Manoel de Oliveira Erhardt, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região.

Em seu despacho, ele defende a possibilidade de conciliação entre o Assentamento Normandia e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), autor do pedido de despejo. 

A ordem de reintegração de posse foi emitida em setembro e deveria ser cumprida até a última quinta feira (10), mas uma nova decisão judicial adiou por mais 30 dias o despejo, agora suspenso pelo desembargador.

Na sentença, Erhardt ressaltou que há a efetiva utilização da área comunitária do Assentamento Normandia, que gere o centro de formação, com atuação em diversas áreas de interesse social. O desembargador destacou a formação acadêmica e a produção da associação dos trabalhadores do assentamento (Atranor).

O Incra pediu a reintegração em 2008, após um desacordo envolvendo quatro famílias assentadas a respeito do uso da área. No entanto, segundo o MST, passados 11 anos, a divergência deixou de existir.

Na decisão, Erhardt alertou para a gravidade do despejo. “Há fundado perigo de produção de danos irreparáveis na imediata reintegração de posse, sendo recomendável a prévia tentativa de resolução amigável do conflito”, registrou, afirmando ainda que, “em caso de insucesso na via conciliatória”, o Incra poderá recorrer.

A área de 15 hectares onde se encontra o Centro de Formação Paulo Freire está há 20 anos sob gestão da associação de assentados de Normandia, nome da antiga Fazenda Normandia, que foi ocupada pelos trabalhadores rurais em 1º de maio de 1993.

Após um longo período de resistência, houve, em 1998, a desapropriação para fins de reforma agrária e indenização ao antigo proprietário. 

:: Centro Paulo Freire: luta por democracia e reforma agrária são urgentes :: 

Na área, vivem 41 famílias, que têm como espaço coletivo o centro de capacitação, três agroindústrias, 52 alojamentos, salas de aula, auditório para 700 pessoas, centro comunitário, quadra esportiva, academia pública para atividades físicas, creche e refeitório.

Procurado pela reportagem, o Incra afirmou não ter informações sobre a decisão. 

Texto: Lu Sudré|Edição: João Paulo Soares

Fonte: Brasil de Fato

MST explica conquistas dos sem-terrinha e repudia reportagem mentirosa da Record

Com mais de 2 mil escolas públicas conquistadas, MST mostra o outro lado que reportagem do “Domingo Espetacular” ignorou

Foto: MST/ Divulgação

Na noite do último domingo (10), a Rede Record, de propriedade do bispo Edir Macedo e apoiadora de Jair Bolsonaro, divulgou a reportagem “A Polêmica dos Sem Terrinha”, no Programa Domingo Espetacular. Sem escutar o outro lado e distorcendo imagens do MST, a matéria provocou o repúdio do movimento.

Em nota, o MST disse que a reportagem tem como objetivo manipular a opinião pública e fortalecer o processo de criminalização de organizações populares. “Em um país, em que o número de analfabetos supera a marca de 11 milhões de pessoas e que 1 a cada 5 crianças está fora da escola, nos surpreende que um Encontro Nacional de Crianças Sem Terrinha, onde foi discutido temas como os direitos das crianças e a produção de alimentação saudável, seja classificado como doutrinário”, protesta.

A nota também ressalta que o MST conquistou mais de 2 mil escolas públicas, reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC), em assentamentos e acampamentos de todo o país.

“Milhares de camponesas e camponeses, organizados pelo MST, tiveram acesso a alfabetização e se formaram no ensino fundamental, médio, cursos técnicos e em nível superior. Há filhos e filhas de famílias assentadas em mais de cem turmas de cursos formais e mais de 4 mil professores foram formados, a partir das lutas pela educação pública, considerada pelo Movimento enquanto um direito básico”, informa o movimento.

Leia abaixo a íntegra da nota:

“MST repudia ataque da Record contra as Crianças Sem Terrinha

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra vem a público denunciar e repudiar a distorção de informações veiculadas na noite deste domingo (10) no Programa Domingo Espetacular. A reportagem “A Polêmica dos Sem Terrinha” tem como único objetivo manipular a opinião pública e fortalecer o processo de criminalização de organizações populares, que lutam pela defesa de seus direitos.

Em um país, em que o número de analfabetos supera a marca de 11 milhões de pessoas e que 1 a cada 5 crianças está fora da escola, nos surpreende que um Encontro Nacional de Crianças Sem Terrinha, onde foi discutido temas como os direitos das crianças e a produção de alimentação saudável, seja classificado como doutrinário.

Reafirmamos que o Encontro, realizado em parceria com a organização Aldeias Infantis SOS, uma das mais respeitadas entidades que trabalha com a infância no país, teve as autorizações dos órgãos responsáveis e respeitou todos os padrões de segurança exigidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Destacamos ainda, que todas as crianças tiveram autorização dos pais, conforme prevê a legislação, e além disso, todos os alvarás necessários foram emitidos pelos órgãos competentes, incluindo a Vara da Infância e Juventude.

A Rede Record, ao disseminar mentiras, não leva em consideração critérios mínimos de apuração e imparcialidade, faltando, entre outras questões, com a ética jornalística.

O Artigo 6º da Constituição Federal do Brasil prevê, dentre outras coisas, o direito à educação. Nesse sentido, o MST não só luta para que esse direito seja respeitado como também trabalha cotidianamente para que nos tornemos um país mais digno e, sobretudo, menos desigual. Temos uma longa trajetória de lutas pelo acesso à educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis para as crianças, jovens e adultos.

Em toda a nossa história, foram conquistadas mais de 2 mil escolas públicas, reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC), nos acampamentos e assentamentos em todo o país, que atendem a crianças, adolescentes e adultos. Milhares de camponesas e camponeses, organizados pelo MST, tiveram acesso a alfabetização e se formaram no ensino fundamental, médio, cursos técnicos e em nível superior. Há filhos e filhas de famílias assentadas em mais de cem turmas de cursos formais e mais de 4 mil professores foram formados, a partir das lutas pela educação pública, considerada pelo Movimento enquanto um direito básico.

Enfatizamos, que enquanto movimento de luta pela terra, pela reforma agrária e pela transformação da sociedade, continuaremos defendendo os direitos e a cidadania plena para todas as pessoas, em especial aquelas que vivem no campo.

Por isso, nós não só lutamos como fomentamos a educação no país e, diante de tudo isso, exigimos não só imediato direito de resposta, como desafiamos a mesma emissora a se propor a um jornalismo sério e de qualidade que preze pelos fatos e não interesses políticos.

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST

11 de fevereiro de 2019, São Paulo – SP”

Edição: Pedro Ribeiro Nogueira

Fonte: Brasil de Fato

Das lutas pela terra e respeito pela agricultura, há 35 anos nascia o MST

Inicialmente forte na região Sul, o movimento hoje está presente em 24 estados e em assentamentos da reforma agrária que somam 350 mil famílias

Foto: Lula Marques/PT na Câmara

Em 21 de janeiro de 1984, o 1° Encontro Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, em Cascavel (PR), reunia centenas de representantes de camponeses, sindicatos rurais e movimentos sociais do campo, com apoio da Pastoral da Terra da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ao final do encontro, foi criado o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que em pouco tempo viria a se tornar uma das mais importantes organizações sociais do país, com reconhecimento internacional.

O encontro decidiu que o MST deveria lutar pela terra, pela reforma agrária e por mudanças sociais no país. O novo movimento absorveria a experiência histórica das Ligas Camponesas e do Movimento dos Agricultores Sem Terra (Master), que levantaram a bandeira da reforma agrária antes do golpe de 1964. O MST participaria ativamente da luta pela redemocratização e pela conquista de direitos sociais.

A entidade aliou sua plataforma à organização de acampamentos de camponeses nas rodovias, a exemplo do que havia ocorrido na Encruzilhada Natalino (RS), em 1980. Passou também a ocupar áreas vazias em latifúndios improdutivos e terras que passavam por processos de desapropriação. Essas táticas deram grande visibilidade ao movimento e à causa da reforma agrária.

Inicialmente mais forte na região Sul, o MST expandiu-se pelo país. Hoje, o movimento está presente em 24 estados e em assentamentos da reforma agrária que somam 350 mil famílias.

Perseguição

Exatos 35 anos depois da criação do MST, o site jornalístico The Intercept Brasil publica uma matéria revelando a história de uma decisão inédita que condenou quatro militantes do MST por formarem uma ‘organização criminosa’. A equipe de reportagem foi até Goiás para entender como esse processo judicial se desenrolou e quais foram as suas consequências.

Essa decisão envolve uma empresa que deve mais de R$ 1 bilhão ao governo federal, acusações do Ministério Público embasadas em citações da Wikipédia, um trator incendiado por agricultores revoltados e um juiz que citou Jair Bolsonaro para lastrear uma decisão.

 

Por Fundação Perseu Abramo

 

 

Com marcha histórica, sem-terra prometem realizar “cerco popular” em Brasília

Entenda como se organizará a marcha nacional que o MST realizará entre os dias 10 a 15 de agosto.

Última grande marcha nacional realizada pelo MST ocorreu em 2005. / Arquivo MST

Cerca de 5 mil camponeses de todas as regiões do Brasil participarão da Marcha Nacional Lula Livre, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pela Via Campesina (articulação mundial de movimentos camponeses). A mobilização ocorrerá entre os dias 10 e 15 de agosto. O ponto final da caminhada será a cidade de Brasília. Além de lutar contra a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está em Curitiba há mais de 100 dias, os trabalhadores marcham para chamar a atenção da população para as graves crises econômica e política pelas quais o Brasil passa.

Ao todo, serão cerca de 50 quilômetros de caminhada, durante quatro dias. Os marchantes estarão divididos em três colunas: um grupo partirá da cidade de Formosa (GO), outros manifestantes sairão de Luziânia (GO) e um terceiro grupo de manifestantes seguirá a partir da cidade de Engenho das Lages (DF). Os marchantes chegarão, ao mesmo tempo, na capital federal. Cada coluna contará com cerca de 1.500 sem-terra. Estarão presentes integrantes do MST de todos os estados em que o movimento está organizado (23 ao todo).

No dia 10 de agosto acontecerá a concentração dos marchantes nos três pontos de partida e o ato de lançamento da mobilização que se junta ao Dia do Basta (Dia Nacional de Mobilizações e Paralisações das Centrais Sindicais). A caminhada começa, efetivamente, no dia 11 de agosto e as três colunas deverão chegar a Brasília no dia 14 de agosto. No dia 15 de agosto ocorre, na capital brasileira, uma grande manifestação em apoio a Lula. Esse será o último dia para o registro das candidaturas e o dia no qual a inscrição do ex-presidente será protocolada para concorrer no pleito de outubro.

Ao longo do percurso, em cada cidade em que a marcha parar haverá uma programação com rodas de conversa, formações, teatro e intervenções de agitação e propaganda. A ideia é promover uma interação entre os trabalhadores que participam do ato e as populações locais, ampliando o debate sobre a democracia e os problemas pelos quais o país enfrenta.

“A marcha tem como objetivos fazer o registro da candidatura de Lula, exigir do Supremo Tribunal Federal (STF) a soltura do ex-presidente, já que está preso de forma injusta. Evidentemente que a marcha também vai denunciar toda a estrutura do golpe [de 2016], corrupta, autoritária, contra a nossa democracia, que foi feito pelo Poder Judiciário, pela mídia … A ideia é dialogar com a população, que já está apoiando Lula de forma massiva e, por tanto, com as condições para ganhar as eleições no primeiro turno. Por esta razão, é fundamental que o Lula possa participar das eleições”, explicou Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST, durante entrevista à Rádio Brasil de Fato, nesta quinta-feira (9).

Histórico

Organizar um grande volume de pessoas em uma manifestação deste porte é desafiador. No entanto, o movimento já possui uma larga experiência neste quesito. “Na marcha de 2005 nós contamos com 12 mil pessoas. Todo mundo se alimentando, sem nenhum incidente e sem absolutamente nenhum problema para nós e para toda a sociedade. Da mesma forma vai ocorrer agora”, lembra Mauro.

A marcha nacional realizada pelos sem-terra em 2005, como relembra Gilmar Mauro, saiu da cidade de Goiânia (GO) e, durante duas semanas, os camponeses percorreram cerca de 200 Km até a chegada em Brasília.

Em 1997, um ano após o Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 21 camponeses ligados ao MST foram assassinados pela Polícia Militar no Pará, em Carajás, cerca de 1.300 sem-terra realizaram a Marcha Nacional por Emprego, Justiça e Reforma Agrária.

O objetivo era chegar em Brasília no dia 17 de abril, exatamente um ano após o Massacre. Os camponeses partiram de três pontos diferentes do país no dia 17 de fevereiro de 1997 e, por dois meses, atravessaram a pé diversos municípios do Brasil.

Uma das colunas partiu da capital paulista com 600 pessoas. Outra saiu de Governador Valadares (MG) com 400 integrantes. E a terceira coluna partiu de Rondonópolis (MG) com 300 pessoas. Cada coluna percorreu cerca de 1.000 km.

No dia 17 de abril, dia da chegada em Brasília, cerca de 100 mil pessoas receberam os sem-terra na capital federal demonstrando solidariedade e simpatia pela luta por Reforma Agrária. O episódio ficou conhecido como “A Marcha dos 100 mil”.

Treze anos após a última grande marcha nacional realizada pelo MST, Gilmar Mauro pontua os elementos centrais que permearão a atual mobilização. “O objetivo é fazer um cerco popular a Brasília, e é muito importante que toda a militância do movimento sindical, militância partidária, militância que não está em nenhum tipo de organização possa se somar a este processo de mobilização. A nossa avaliação é que a única forma de nós garantirmos a eleição limpa, livre e com a participação do ex-presidente Lula é se nós conseguirmos fazer grandes mobilizações populares”.

 

http://www.brasildefato.com.br

 

 

Formas de organização presentes na Feira Nacional mudaram a realidade de famílias Sem Terra

Cooperativas da Reforma Agrária comercializam uma diversidade de produtos durante Feira Nacional em São Paulo

Fotos: Kelito Trindade

Chegar à Feira Nacional da Reforma Agrária exigiu do MST diversas formas de organização, entre elas a cooperação. Do Norte ao Sul e do Leste ao Oeste do país é possível encontrar experiências que culminaram numa diversidade de produção de alimentos saudáveis, a mesma que pode ser encontrada até o próximo domingo (6) na terceira edição do evento, no Parque da Água Banca, na Zona Oeste da cidade de São Paulo.

Uma das experiências veio da região Sul do Rio Grande do Sul, lá do interior de Piratini. A Associação dos Produtores Ecológicos Conquista da Liberdade (Apecol) produz cerca de 50 variedades de sementes de feijão preto e de cor. A iniciativa é jovem – tem apenas três anos – e já é uma das principais referências para o MST na produção diversificada de sementes orgânicas de feijão. A assentada Marli de Oliveira, 47 anos, está na Feira Nacional e conta que a cooperação foi fundamental para que em tão pouco tempo a Apecol trouxesse pela primeira vez cerca de 15 variedades ao maior evento de diversidade de alimentos do país.

“Está valendo a pena a nossa união pela associação, porque ela nos proporciona comercializar o que produzimos e ter a perspectiva de uma vida mais digna no campo. Se não fosse ela, provavelmente não estaríamos aqui hoje. Aqui o trabalho das nossas 22 famílias está sendo valorizado e é um espaço para sermos reconhecidos, porque muitas vezes as pessoas falam mal dos Sem Terra sem saber o que estão falando. Por isso a experiência está sendo muito boa”, relata.

Moradora do Assentamento Conquista da Liberdade, onde se encontra a sede do Apecol, Marli ressalta que o objetivo em comum dos assentados em Piratini em torno da produção de feijão faz com que eles tenham o olhar apurado para identificar novidades por onde passam. Ela diz que sempre que viajam ficam atentos às sementes para ampliar as variedades da Apecol. “Sempre que saímos procuramos coisas diferentes e, nem que seja um punhadinho, trazemos para casa para cultivar. No meu lote, eu já tenho 38 variedades. É trabalhoso, tem que cuidar para não misturar as sementes. Mas foi assim que conseguimos produzir tantas variedades para estarmos agora, pela primeira vez, nessa grande feira em São Paulo. Esperamos que seja a primeira de muitas”, comenta.

E quem chega pela primeira vez a um ponto de venda pelas mãos da Apecol é o feijão milico. A variedade estreou na capital paulista e já está entre as três mais vendidas na feira por Marli – as outras duas variedades são irai e amendoim. “As pessoas que compram não conhecem, mas elas têm curiosidade e querem experimentar para ver como são. Muitos levam para consumir, mas há quem leve porque quer mesmo plantar as sementes”, afirma. Ela acrescenta que na banca do Rio Grande do Sul também tem outras variedades, como carioquinha branco, marrom crioulo, guardião, brilhante, expedito e periquito.

Fotos: Kelito Trindade

Cooperativa Camponesa

A poucos metros de onde Marli comercializa as sementes da Apecol, está parte da produção da Cooperativa dos Camponeses Sul Mineiros (Camponesa). Ela foi fundada em 2012, como uma ferramenta de organização das famílias Sem Terra, e está situada no município de Campo do Meio, na região Sul de Minas Gerais. Na 3ª Feira Nacional da Reforma Agrária, entre os principais itens para comercialização está o café Guaií, que é o carro-chefe da cooperativa. Hoje, a produção é de 4 mil sacas ao ano e a estimativa é chegar a 15 mil na próxima safra. “A ideia é atingir o máximo possível de produção orgânica de café. É um processo um pouco lento, mas a cada ano estamos envolvendo mais famílias e aumentando a nossa área de cultivo”, explica o assentado Roberto Carlos do Nascimento, de 46 anos.

Entretanto, além de café, é possível encontrar na banca de Minas Gerais outros alimentos da Camponesa, tais como conserva de pimenta, rapadura, farinha de milho, goiabada, molho de tomate e doce de leite. Eles são produzidos por três assentamentos e 11 acampamentos na antiga usina de Adrianópolis – palco de um dos maiores conflitos agrários do país. Ao todo, são cerca 500 famílias assentadas e pequenos produtores locais envolvidos na produção, que também compreende mel, açúcar mascavo, sementes, ervas medicinais e geleias. A maior parte das áreas destinadas ao cultivo está certificada como orgânica e outras, principalmente nos acampamentos, estão em processo de transição agroecológica.

Conforme Nascimento, a cooperativa é uma forma de fortalecer o processo de cooperação entre as famílias e de estruturar a produção, a industrialização e a comercialização dos seus alimentos. Segundo ele, a experiência da Camponesa se destaca justamente por essa relação existente entre os trabalhadores Sem Terra, a qual também se estabelece nos acampamentos. “Temos acampados que ajudaram a fundar a nossa cooperativa, e hoje os acampamentos são os locais onde temos o maior número de famílias envolvidas na transição orgânica. Para nós isso é extremamente fundamental, pois possibilita fortalecermos a produção orgânica e agroecológica”, declara.

Assim como Marli, ele alega que esse trabalho que tem como base a cooperação possibilita dar passos mais largos em direção a um novo modelo de sociedade e a conquistar espaços importantes em eventos como a Feira Nacional da Reforma Agrária. “Se nós não estivéssemos organizados via cooperativa, talvez estaríamos aqui hoje, mas não com esse acúmulo que conseguimos nesses seis anos de cooperação. É nítido o quanto é importante uma ferramenta que dê esse suporte para estarmos cada vez mais fortalecidos. Por isso a cooperativa foi fundamental para estarmos aqui pela terceira vez e nesse nível que estamos hoje. Aqui, temos clientes desde a primeira feira”, completa.

Doce Lar

Outra iniciativa é da região Norte de Sergipe, que está presente na Feira Nacional e mudou a realidade de 26 mulheres do Assentamento Caraíbas. Trata-se da Cooperativa Mista dos Agricultores Familiares do Assentamento Caraíbas Doce Lar (Coomafac), localizada no município de Japaratuba.

Lá, as camponesas preparam mais de 20 tipos de alimentos, como bolos diversos, biscoitos, queijada e pão de queijo. A comercialização da produção ocorre principalmente via Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), e em feiras do MST em Sergipe e até mesmo em outros estados e no Distrito Federal. Em São Paulo, é a terceira vez que elas participam da Feira Nacional, onde vendem tapioca recheada, broa de milho, biscoitos, pé-de-moleque e bolos de macaxeira, puba, milho e leite.

De acordo com Eliene dos Santos, 44 anos, a organização das mulheres em torno da agroindústria e da cooperativa se deu pela necessidade de valorizar a macaxeira que é produzida por elas nos lotes da Reforma Agrária. “Temos uma produção grande, mas vinha um atravessador e a comprava por um preço muito barato. Como nós recebemos assistência técnica, dissemos que queríamos fazer algo com aquela macaxeira que pudesse agregar valor”, argumenta.

Foi então que elas fizeram cursos e começaram a preparar os alimentos numa estrutura pequena. Com o apoio de programas, como o Terra Sol, conseguiram se organizar melhor e hoje possuem todos os equipamentos necessários para preparar a produção. “Aplicamos o Apoio Mulher para comprar forno, geladeira e freezer para ficar mais fácil o nosso trabalho. Antes, chegamos a ralar manualmente 1000 cocos. Era muito pesado”, recorda.

Eliene conta que, nestes sete anos, a principal mudança que ocorreu na vida das mulheres com a cooperativa foi na parte econômica. “Nós não tínhamos renda, nem acesso ao Bolsa Família. Dependíamos literalmente do marido. Mas hoje temos autonomia financeira, podemos comprar porque sabemos que temos como pagar. É uma iniciativa que mudou radicalmente as nossas vidas, porque agora podemos dizer assim: “eu tenho o meu, não dependo mais do dinheiro do marido”. Nós podemos comprar coisas para os filhos, um móvel para dentro de casa, e ficamos com muito orgulhosas de saber que contribuímos neste sentido”, finaliza.

Confira o especial da 3ª Feira da Reforma Agrária clicando aqui.

Por Catiana de Medeiros
Da Página do MST
*Editado por Gustavo Marinho