“A vereadora Marielle Franco que defendia tanto vagabundo, olha o que aconteceu”, diz Vereador Osinaldo Souza. Veja o vídeo

Foto: Wesley Lopes

Depois de votados alguns projetos, indicações e requerimentos, os temas violência e segurança pública foram debatidos na manhã desta quinta-feira, 22, na sessão ordinária da Casa Plínio Amorim.  Vários vereadores em suas falas fizeram menção ao índice de violência que vem crescendo na cidade. O vereador Alex de Jesus, ao fazer uso da tribuna, partilhou de sua preocupação com o número de assaltos que vem ocorrendo na cidade. Alguns disseram ser favoráveis ao armamento do cidadão para se defender, entre eles, o vereador Gabriel Menezes, PSL, que se disse contra o Estatuto do Desarmamento.

Porém um dos discursos que mais chamou a atenção foi do vereador Osinaldo Souza, justamente por ser ele o presidente da Comissão dos Direitos Humanos e Cidadania. Osinaldo, em determinado momento de sua fala disse em alto e bom som que a vereadora Marielle Franco, do PSOL, que foi morta no último dia 14, havia sido assassinada porque defendia vagabundo.

Veja a fala do vereador no vídeo abaixo.

 

Os vereadores do Partido dos Trabalhadores Gilmar Santos e Cristina Costa repudiaram a atitude do parlamentar.  “Eu fico extremamente sentido em ouvir essa frase de que a vereadora Marielle defendia vagabundo, de um vereador desta casa. Nós tivemos a missa do 7º dia, está na imprensa mundial, o Papa Francisco teve a humanidade, o respeito ao evangelho, em se solidarizar com a família de Marielle. O Papa Francisco que representa o sentimento milhões de cristãos no Mundo. No culto ecumênico o discurso mais bonito e mais representativo foi de um pastor evangélico. Eu fico imaginando o pastor Henrique Vieira, um evangélico, saber que um outro evangélico, vereador da casa Plínio Amorim faz acusações com ódio, desrespeitando o evangelho, estimulando a violência em nossa sociedade”, disse Gilmar.

Foto: Wesley Lopes

O vereador Gilmar lembrou o trabalho da vereadora do PSOL, inclusive com os policiais. “Marielle, para os falastrões, foi uma vereadora que pesquisou a realidade da Polícia Militar, colocou na sua pesquisa a defesa dos policiais, acolheu famílias de policias que foram assassinados, defendia uma segurança pública com valorização dos policiais, inclusive os coronéis da Polícia Militar do Rio de Janeiro fizeram esse reconhecimento público”, destacou.

Para Gilmar Santos as palavras de Osinaldo é um atentado contra a inteligência da população. E acrescentou: “ Defender direitos humanos é exatamente para que a população não seja desumanizada, para que a gente não entre em uma situação de caos. E eu fico preocupado de ver um presidente de uma comissão de Direitos Humanos falando esses absurdos, envergonhando essa casa e os princípios constitucionais”, desabafou.

Foto: Maria Lima

A vereadora Cistina Costa que no momento da fala de Osinaldo havia saído do plenário, ao saber do que havia se passado, também ficou indignada. “Eu quero, enquanto mulher e enquanto parlamentar, repudiar o despreparo de quem disse isso aqui. Que a vereadora Marielle defendia vagabundo, eu quero repudiar. Vamos respeitar”, disse Costa.

Diante da gravidade das declarações de Osinaldo Souza, Cristina Costa conclamou a colega vereadora Maria Elena para ouvir o áudio da sessão e tomar as devidas providências. “Se foi colocado essa falta de respeito com a vereadora Marielle eu vou tomar as providências e quero repudiar a atitude machista, agressiva, desrespeitosa do ser vivo que usa a bíblia, a palavra de Deus para incentivar a violência”, concluiu.

Sobre a Câmara Municipal debater determinados temas sem fazer o devido aprofundamento,  o vereador Gilmar Santos também destacou que “Se a gente quiser ser honesto, sincero, não entrar no cretinismo político, nós vamos saber que os primeiros criminosos estão nas Câmaras Municipais, nas Assembleias Legislativas, no Congresso Nacional e tem criminoso no Judiciário também. Veja a situação do nosso judiciário, em que pé nós estamos. É a falta da presença do Estado sem garantir educação de qualidade, ausência do estado em política de saúde de qualidade, ausência do Estado em investir em política de cultura para a juventude. Muitas vezes na dor da violência políticos se aproveitam para ganhar o sentimento do povo, para manipular a população…”, finalizou.

Foto: Wesley Lopes

O líder da bancada de oposição, vereador Paulo Valgueiro, também chamou a atenção dos colegas para o que é dito no plenário. “A gente tem que aprofundar as informações para trazer a essa tribuna, não podemos trazer informações do facebook como verdadeiras, a gente tem que pesquisar, porque somos formadores de opinião, temos de ter responsabilidade e não fazer acusações infundadas e colocar o nome de alguém na lama sem fazer a devida investigação e trazer aqui de forma irresponsável”, apelou.

Marielle Francisco da Silva, conhecida como Marielle Franco, 39 anos, era socióloga, feminista, militante dos direitos humanos e política brasileira. Filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), elegeu-se vereadora do Rio de Janeiro na eleição municipal de 2016, com a quinta maior votação. Crítica da intervenção federal no Rio de Janeiro e da Polícia Militar, denunciava constantemente abusos de autoridade por parte de policiais contra moradores de comunidades carentes. No dia 14 de março de 2018, foi covardemente assassinada a tiros juntamente com o seu motorista Anderson Gomes.

 

Por Redação

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Ocupa Ilha leva arte, cultura, esporte, ações ambientais e debates políticos para a Ilha do Fogo neste final de semana

O Coletivo Amigos da Ilha realiza neste final de semana o “Ocupa Ilha”. Um evento dentro da Ilha do Fogo, balneário que fica localizado entre as cidades de Juazeiro-BA e Petrolina-PE e que conta com diversas atividades na área da cultura, das artes, do esporte, bem como atividades educativas e ambientais.

No sábado (30), haverá aula de Yoga, oficina de sinalização, mutirão de limpeza e plantio de mudas. No domingo, 1º de outubro, também haverá aula de Yoga pela manhã, vivência “Costura da vida”, Intervenção na área de banho com histórias na beira d´água e intervenção de dança.

Ainda no domingo, o Bosque Coletivo, que apoia o evento, realizará o Sarau do Bosque, edição especial “A Ilha do Fogo é do Povo”, com teatro, música e poesia. A programação completa pode ser conferida ao final do texto.

Dentro da programação acontece também a Roda de Conversa – Retrocessos, Ocupações e Mídias Independentes a partir do Golpe de 2016.

Este espaço pretende debater os contextos atuais e buscar caminhos de superação e de enfrentamento – Tendo como base um projeto popular e progressista para o Vale do São Francisco.

O debate acontece dentro do Galpão da Franave, na Ilha do Fogo a partir das 14h, no sábado (30).

Para Ênio Silva, militante em defesa da Ilha do Fogo através do Coletivo, “esta é uma organização fomentada pela sociedade civil, através de coletivos, grupos de teatro, músicos. É para chamar a atenção para o descaso do poder público para com a Ilha do Fogo e de forma mais abrangente com o próprio Rio São Francisco. Ocupar a Ilha com cultura, arte, esporte e ações práticas de meio ambiente é a nossa forma de protesto”, pontuou.

A Ilha do Fogo e o Coletivo Amigos da Ilha

A Ilha do Fogo – situada no Rio São Francisco, divisa entre os estados da Bahia e Pernambuco e que historicamente sempre representou um espaço de lazer, cultura e esportes principalmente às parcelas mais pobres de nossas cidades e de visitantes que aqui chegam diariamente. A Ilha do Fogo abriga uma colônia de pescadores com cerca de 40 famílias que, há mais de 30 anos, tem o seu sustento garantido por meio da pesca no Rio São Francisco.

Na madrugada do dia 3 de setembro de 2012, foi invadida de forma arbitrária pelo exército brasileiro. Após muita luta do Coletivo Amigos da Ilha, dos pescadores e de grande parte dos banhistas e sociedade civil organizada, em 22 de junho de 2015 o exército retirou os portões que impediam o acesso da população a Ilha do Fogo.

O Coletivo Amigos da Ilha, além da “desocupação” promovida pelo Exército Brasileiro, luta pelas seguintes reivindicações:

A garantia de que os pescadores e suas famílias que sobrevivem da pesca no Rio São Francisco possam continuar exercendo seu trabalho livremente e que sejam atendidas suas reivindicações para melhorar as suas condições de trabalho.

A efetiva revitalização da ilha e condições dignas de utilização, bem como a revitalização do Rio São Francisco e extinção dos pontos de esgotos que são despejados no rio pela cidade de Petrolina.

Passados quase dois anos da “desocupação” do exército, o Coletivo Amigos da Ilha, a Associação de Pescadores, Associação de vendedores Ambulantes da Ilha, coletivos de artistas e sociedade civil organizada iniciaram conversas para discutir formas de chamar a atenção da sociedade e das instituições públicas para colocar em prática as reinvindicações acima citadas.

Confira a Programação Completa do Ocupa Ilha

Sábado (30/09)

8h – [área de banho da Ilha] Aula de Yoga  com Prof.Sofia Correia

9h – Oficina de sinalização (Placas de Conscientização) com a profª Clarissa Campelo/Univasf

10h30 – Mutirão de limpeza + Plantio de mudas

15h – [Casarão] Roda de Conversa “Mídia Livre e Resistência Pós Golpe” com intervenções do Coletivo Ser Tão Poeta e “Samba Coco ” com Paulinho Rodrigues.

Domingo (1º/10)

8h – [área de banho da Ilha] Aula de Yoga  Prof.Leonardo Maurielli

9h30 – [Casarão] Vivência “Costura da Vida – Clã Virá

13h – Roda de Capoeira – Bando Maré de Março

14h – [Área de Banho da Ilha] Intervenção. Histórias na beira d´água – Cia Biruta

Sarau do Bosque – Edição Especial: “A Ilha do Fogo é do Povo”

14h – Abertura com Intervenção em Dança  – Coletivo Incomum/Trecho do espetáculo “Fraturas” – Coletivo Trippé

Música: Neto Kiriri, Fatel, Libório e a Combustão Espontânea, Sóda Solta, Fogo no Munturo, Tio Zé Bá, Daniel Pinheiro, Ciro Cavalcanti, 3 da Matina, Paulo Soares e Novo Ciclo.

Poesia: Recital de Poesia por Ruthe Maciel, Luzia – Intervenção poética (Trup Errante), Procura-se Um Corpo – Ação nº 3 (Núcleo de Teatro do Sesc, Dança – Trecho do Espetáculo “Batuques” (Cia Balançarte).

*Ascom* – Ocupa Ilha

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