Rosa Amorim e Professor Gilmar acionam MPPE para ampliar política de cotas raciais nos municípios de Pernambuco

Representação protocolada no Ministério Público cobra medidas para que os 184 municípios pernambucanos implementem ações afirmativas no serviço público e garantam mais oportunidades à população negra

Foto: Vinícius Rodrigues (ASCOM Rosa Amorim)

O candidato a deputado estadual Professor Gilmar (PT) e a candidata a deputada federal Rosa Amorim (PT) protocolaram uma representação junto ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) solicitando medidas para ampliar a implementação de cotas raciais nos municípios pernambucanos. A iniciativa busca enfrentar a ausência de políticas afirmativas na maior parte das prefeituras do estado e garantir que concursos públicos, seleções simplificadas e demais formas de ingresso no serviço público contemplem mecanismos de promoção da igualdade racial.

A representação foi fundamentada na Constituição Federal, no Estatuto da Igualdade Racial, na Convenção Interamericana contra o Racismo e em um estudo da Associação Opará, que revela um cenário preocupante em Pernambuco: dos 184 municípios do estado, apenas nove adotam políticas de cotas raciais para ingresso no serviço público. Entre eles está Petrolina, pioneira na implementação dessa política.

A atuação conjunta de Gilmar e Rosa reúne duas trajetórias marcadas pela defesa da igualdade racial. Em Petrolina, Professor Gilmar é autor do Estatuto da Igualdade Racial, tornando o município o primeiro de Pernambuco a contar com uma legislação específica voltada ao enfrentamento do racismo e à promoção da igualdade racial. Também é autor da lei que transformou Petrolina no primeiro município pernambucano a instituir cotas raciais em concursos públicos e demais formas de ingresso na administração pública.

Na Assembleia Legislativa de Pernambuco, Rosa Amorim participou da construção da legislação estadual que ampliou a política de cotas raciais para concursos públicos e processos seletivos do Governo de Pernambuco, fortalecendo as ações afirmativas em âmbito estadual. Agora, a proposta é fazer com que esse avanço alcance todos os municípios pernambucanos.

Segundo a representação, a omissão da maioria das prefeituras compromete o acesso da população negra ao serviço público e contribui para a perpetuação das desigualdades raciais históricas. O documento solicita que o Ministério Público coordene uma atuação estadual, expedindo recomendações aos municípios, acompanhando a implementação das cotas e, quando necessário, adotando medidas judiciais para garantir o cumprimento das políticas afirmativas.

O estudo que embasa a representação também revela que apenas cerca de 9,37% dos municípios brasileiros possuem algum mecanismo de reserva de vagas para a população negra. Em Pernambuco, o cenário é ainda mais preocupante: aproximadamente 95% das cidades ainda não implementaram políticas de cotas raciais para ingresso no serviço público.

Para Professor Gilmar e Rosa Amorim, ampliar as ações afirmativas é um passo fundamental para enfrentar o racismo estrutural e democratizar o acesso ao serviço público. A expectativa é que a atuação do Ministério Público estimule os municípios pernambucanos a implementar políticas permanentes de inclusão, garantindo que a administração pública reflita, de forma mais justa, a diversidade da população negra de Pernambuco.

Por Aléxia Viana
Edição: Victória Santana
ASCOM Mandato Coletivo