Após denúncias de esgoto, risco estrutural e abandono, Professor Gilmar tem audiência pública aprovada para Vila Verde e Vila Real em Petrolina

Requerimento do vereador foi aprovado por unanimidade na Câmara e vai discutir falta de saneamento, falhas na drenagem e impactos na vida de moradores dos dois residenciais

Na sessão da Câmara Municipal de Petrolina realizada na última terça-feira (17), a Casa Plínio Amorim aprovou, por unanimidade, o requerimento de autoria do vereador Professor Gilmar-PT para a realização de uma audiência pública que irá discutir os graves problemas de saneamento, drenagem e estrutura enfrentados por moradores/as dos residenciais Vila Verde e Vila Real.

A proposta surge após uma série de denúncias feitas pelas comunidades, que há anos convivem com esgoto a céu aberto, mau cheiro constante, proliferação de insetos e riscos à estrutura dos imóveis, uma realidade que transformou o sonho da casa própria em um cenário de insegurança e indignidade.

Construídos por meio do programa Minha Casa Minha Vida, os Residenciais Vila Verde e Vila Real deveriam garantir moradia digna para dezenas de famílias. No entanto, o que se observa hoje é um quadro de abandono, agravado pela ausência de políticas públicas estruturantes na região.

De acordo com os relatos, a principal origem dos problemas está na falta de saneamento básico no bairro Mandacaru, localizado nos fundos dos residenciais. Sem um sistema adequado, o esgoto e a água das chuvas acabam sendo direcionados para dentro do Vila Verde e do Vila Real, comprometendo a estrutura dos prédios e expondo os/as moradores/as a condições insalubres.

A situação se agrava durante o período chuvoso. Com o aumento do volume de água, áreas inteiras do condomínio ficam alagadas, favorecendo infiltrações e acelerando o desgaste das estruturas. No Vila Verde, parte do muro já desabou, enquanto outros trechos apresentam rachaduras visíveis, aumentando o risco para as famílias.

“É mau cheiro dentro de casa, é muriçoca. Eu não aguento mais nem sair aqui fora. Quando começa a chover, a gente fica com medo. Já teve muro que caiu. A gente não sabe o que pode acontecer”, relata uma moradora que não quis se identificar, ao descrever a rotina enfrentada diariamente.

Levantamentos apontam que cerca de 256 unidades habitacionais, entre os blocos 3 e 19, do Residencial Vila Verde, estão diretamente afetadas pelos problemas, evidenciando a dimensão da crise enfrentada pela comunidade. Além dos danos à moradia, a situação também compromete atividades econômicas e serviços realizados dentro do residencial. Um espaço utilizado para atendimentos terapêuticos, por exemplo, apresenta acúmulo de água de esgoto infiltrada, tornando inviável seu funcionamento.

Moradores/as também denunciam que o problema não é recente e que, ao longo dos anos, diversas solicitações foram feitas ao poder público sem que houvesse uma solução definitiva. A falta de intervenção tem gerado revolta e sensação de abandono por parte da população. Diante desse cenário, as comunidades se organizaram, realizaram abaixo-assinado e passaram a cobrar providências, levando a pauta até a Câmara Municipal.

A partir dessa mobilização, o vereador Professor Gilmar Santos apresentou o requerimento para a realização da audiência pública, aprovado por unanimidade pelos parlamentares. Para o vereador, a audiência representa um passo fundamental para dar visibilidade ao problema e cobrar responsabilidades do poder público.

“A gente vai ter um espaço para debater com os vereadores, com órgãos do município e do governo do estado, para resolver essa situação lamentável da falta de saneamento e drenagem, que tem levado esgoto e água da chuva para dentro desses condomínios, gerando tantos transtornos”, afirmou.

O parlamentar também destacou que a participação popular será essencial para garantir avanços concretos. “É uma vitória importante. Eu espero que essas comunidades se mobilizem para participar da audiência pública, para que a gente possa construir soluções e cobrar providências. Estamos cumprindo nosso dever na defesa dos direitos desses cidadãos e cidadãs”, declarou.

A audiência pública deverá reunir representantes da Prefeitura, órgãos estaduais, técnicos e moradores/as para discutir medidas como a implantação do saneamento básico no bairro Mandacaru, melhorias no sistema de drenagem urbana e intervenções estruturais nos residenciais Vila Verde e Vila Real. Enquanto aguardam soluções, os/as moradores/as seguem convivendo com uma realidade marcada por insegurança, insalubridade e medo, especialmente em períodos de chuva, quando os problemas se intensificam e colocam em risco a vida das famílias.

A data e o horário da audiência pública ainda serão divulgados.

Por Aléxia Viana
Edição: Victória Santana
ASCOM Mandato Coletivo