Prefeitura de Petrolina não comparece a audiências sobre saneamento e base governista articula bloqueio a novos debates públicos

Após ausência em encontros com moradores das periferias, vereadores/as aliados/as ao governo apresentam requerimento para impedir audiências e reduzir a participação popular; Professor Gilmar manifesta indignação através de Nota Pública à imprensa

A ausência da Prefeitura de Petrolina, sob gestão do prefeito Simão Durando (União Brasil), em audiências públicas sobre saneamento e infraestrutura, realizadas nos dias 23 e 29 de abril, foi seguida por uma articulação da base governista na Câmara Municipal para restringir a participação popular nos debates.

As audiências, propostas pelo vereador Professor Gilmar Santos (PT), tinham como objetivo discutir problemas estruturais graves enfrentados por moradores de bairros periféricos como Vila Verde, Vila Real, Mandacaru e Jardim Petrópolis, incluindo falta de saneamento básico, falhas na drenagem, ausência de pavimentação e riscos à saúde decorrentes do esgoto a céu aberto.

Mesmo diante da gravidade das pautas, e da aprovação unânime pela própria Câmara, a Prefeitura não enviou representantes nem apresentou justificativas. A ausência também se repetiu entre a maioria dos vereadores da base governista. Na dos Residenciais Vila Verde e Vila Real, apenas dois vereadores compareceram: Professor Gilmar e Dhiego Serra. Na do Jardim Petrópolis, apenas o Professor Gilmar.

Após a última audiência, realizada no Jardim Petrópolis, os vereadores do prefeito assinaram o Requerimento nº 0218/2026, estabelecendo que novas audiências públicas só sejam realizadas após o período eleitoral. Na prática, a medida adia debates sobre demandas urgentes da população e reduz os espaços institucionais de escuta direta dos moradores, impactando negativamente a participação popular.

Entre os temas que ficariam suspensos estão:

  • O debate sobre o fim da passagem no transporte coletivo (Tarifa Zero);
  • Moradia, diante do déficit habitacional no município (em Petrolina, mais de 30 mil famílias não tem onde morar dignamente);
  • Abastecimento de água em comunidades rurais, irrigadas e de sequeiro;
  • Debate sobre os direitos das pessoas com diabetes;
  • E o fortalecimento do Sistema Municipal de Cultura.

Assinam o requerimento os vereadores: Gilberto Melo (União), Manoel da Acosap (União), Maria Elena de Alencar (União), Rogério Passos (União), Rosarinha Coelho (União), Diogo Hoffmann (União), Capitão Alencar (PP), Aero Cruz (PDT), Wenderson Batista (PDT), Wanderley Alves (PDT), Zenildo do Alto do Cocar (PDT), Josivaldo Barros (Republicanos), Marquinhos Amorim (Republicanos), Ronaldo Cancão (Republicanos), Cláudia Ferreira (DC), Roberto da Gráfica (DC), Gabriel Menezes (PSD), Júnior Gás (Avante) e Gaturiano Cigano (PV).

Diante do cenário, o vereador Professor Gilmar Santos divulgou uma nota pública à imprensa e à população de Petrolina, manifestando indignação com a decisão e denunciando o que considera um ataque ao direito de participação popular.

A sequência dos acontecimentos – ausência do Executivo nas audiências e posterior tentativa de suspender novos debates – evidencia um enfraquecimento proposital dos canais de diálogo com a população, especialmente nas periferias, onde os problemas são mais intensos. Para os moradores das áreas afetadas, a principal reivindicação segue a mesma: ser ouvido e ter acesso a soluções concretas para problemas que se acumulam há anos.

Em sua nota, o Professor Gilmar faz um apelo à população: “Não podemos permitir a continuidade de práticas políticas autoritárias, coronelistas, que enfraquecem a força do povo, aprofundam desigualdades, mantêm injustiças e atrasam o desenvolvimento social de Petrolina. Então, pedimos à população que use o seu poder enquanto maioria, organizada e mude as coisas como estão”.

Por Glícia Barbosa
Edição: Victória Santana
ASCOM Mandato Coletivo