INIMIGOS DOS ARTISTAS LOCAIS: Vereadores do Prefeito votam contra a transparência na cultura

Requerimento por transparência na cultura é rejeitado pela base governista, enquanto artistas da região cobram respeito, critérios claros e pagamento justo

A primeira sessão legislativa do ano, da Câmara Municipal de Petrolina, realizada nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, já começou marcada por um episódio grave: vereadores da base do prefeito Simão Durando votaram contra um requerimento de autoria do vereador Professor Gilmar Santos (PT) que cobrava transparência, critérios públicos e pagamento justo na contratação de artistas para o Carnaval de Petrolina 2026.

O Requerimento nº 007/2026, apresentado pelo vereador Professor Gilmar, surge após denúncias feitas por diversos artistas da região, que questionaram a forma como foi definida a programação artística do evento. O pedido solicita informações detalhadas sobre o processo de escolha das atrações, realizado por meio de um Termo de Fomento com a Associação Integrada de Turismo na RIDE, sem a realização de chamamento público, o que levantou dúvidas sobre a transparência e a participação dos artistas locais.

O pedido questiona, entre outros pontos:

  • os critérios objetivos utilizados para a escolha dos artistas;
  • quem foi responsável pela curadoria artística e quando a grade foi considerada “fechada”;
  • a ausência de chamamento público ou credenciamento;
  • a falta de diálogo com o Conselho Municipal de Cultura;
  • o papel da Secretaria Executiva de Cultura.

O vereador também chamou atenção para os baixos cachês pagos a artistas locais, sobretudo em comparação com valores praticados em cidades vizinhas, como Juazeiro-BA. Com a repercussão das denúncias, artistas de Petrolina estiveram presentes na sessão, ocupando a Câmara para cobrar respeito, valorização e tratamento digno por parte do poder público.

Mesmo diante da relevância do tema e do uso de recursos públicos, o requerimento foi rejeitado pelos vereadores Zenildo do Alto do Cocar (PDT), Wenderson Batista (PDT), Rosarinha Coelho (UNIÃO), Rogério Passos (UNIÃO), Roberto da Gráfica (DC), Gabriel Menezes (PSD), Júnior Gás (AVANTE), Manoel da Acosap (UNIÃO), Josivaldo Barros (REPUBLICANOS), Aero Cruz (PDT), Gilberto Melo (UNIÃO), Diogo Hoffmann (UNIÃO) e Capitão Alencar (PP), todos alinhados à base do governo municipal.

Votaram a favor da transparência e dos artistas locais os vereadores Professor Gilmar Santos (PT), Cláudia Ferreira (DC), Ronaldo Silva (PSDB), Wanderley Alves (PDT) e Dhiego Serra (PL).

Os vereadores Maria Elena (UNIÃO), Ronaldo Cancão (REPUBLICANOS) e Marquinhos Amorim (REPUBLICANOS) se ausentaram da votação, enquanto Gaturiano Cigano (PV) se absteve.

Para o vereador Professor Gilmar Santos, o resultado da votação deixa claro quais interesses estão sendo defendidos dentro da Câmara. “Esses vereadores não votaram em defesa do povo nem da cultura de Petrolina. Votaram para proteger os interesses do grupo político que comanda a cidade há décadas. Quando se escolhe esconder informações da população é também um ataque direto à democracia”, afirmou o vereador.

O parlamentar afirma que a condução da política e cultural do município segue subordinada aos interesses do grupo político liderado pela família Bezerra Coelho, hoje representado pelo prefeito Simão Durando e por figuras que historicamente concentram decisões, recursos e influência sobre os grandes eventos da cidade.

Ao justificar a cobrança, Professor Gilmar reforça que trata-se de trabalhadores e trabalhadoras da cultura que, a cada grande evento em Petrolina, veem seus direitos serem ignorados. Não por falta de talento, não por falta de reconhecimento, mas por falta de uma política pública que trate a cultura com seriedade. “Esse modelo transforma a cultura em instrumento político, exclui artistas locais, impõe cachês baixos e ignora instâncias de participação social. O que estamos pedindo aqui é compromisso. Compromisso com os artistas, com o público, com o dinheiro público e com a democracia”, reforça Gilmar. 

Diante da recusa em prestar esclarecimentos, o Mandato informa que acionará o Ministério Público, além de seguir cobrando formalmente respostas da Prefeitura e dos órgãos responsáveis. O objetivo é impedir que a ocultação de informações se torne prática comum na gestão cultural do município.

“O que está em jogo não é apenas o Carnaval. É o direito da população de saber como o dinheiro público é usado e o direito dos artistas de serem tratados com dignidade. Não vamos recuar”, conclui o vereador.

Por Glícia Barbosa
Edição: Victória Santana
ASCOM Mandato Coletivo