O desdém internacional pelo governo ilegítimo

 

Por Guilherme Coutinho*

Missões oficiais de Chefes de Estado costumam selar novas parcerias e atrair novos investimentos. Esses momentos célebres costumam ser utilizados para o anúncio de acordos e tratados, normalmente benéficos às duas nações. O Brasil que, nos governos passados, se acostumou a receber e sempre ser bem recebido por grandes líderes mundiais, atravessa um momento no mínimo constrangedor. O país tem sido tratado com desdém pelo mundo democrático. A visita de Temer à Noruega foi um ato falho nas relações internacionais brasileiras e uma vergonha para o país.

Temer não teve recepção digna de Chefe de Estado no país nórdico. Não havia autoridade para recebê-lo no aeroporto, deixando claro que Temer, o ilegítimo, não teria o mesmo tratamento de um líder verdadeiramente eleito. O chefe do aeroporto ficou responsável pela modesta recepção. A imprensa norueguesa também não deu muita importância à visita: havia apenas um jornalista norueguês cobrindo a chegada da comitiva brasileira. Estava claro que esse governo corrupto e plutocrata não era bem-vindo em terras de verdadeira social-democracia.

A viagem tinha tudo para ser irrelevante. Mas houve um fato bastante importante e curioso: o governo norueguês anunciou corte de cerca de 196 milhões de reais no Fundo da Amazônia. O anúncio de um corte substancial de investimentos em uma visita do presidente é algo sintomático. Demonstra a falta de confiança norueguesa no governo brasileiro e expõe a falta de capacidade de negociação de uma equipe brasileira desacreditada e incompetente. O corte nos investimentos corresponde à metade do total. Tudo na presença do presidente e sua equipe.

Temer não apenas não conseguiu nada de benéfico, como perdeu investimentos em uma viagem oficial. Provavelmente a missão mais contraproducente da história. O saldo será uma coleção de vexames e a certeza que a credibilidade de nosso presidente anda mal das pernas em todo o mundo. Temer, ainda no aeroporto, teria tentado convencer os noruegueses que o país vive um “momento próspero”. Mas a confiabilidade do Brasil só se recuperará com a volta da democracia. Afinal, ilegítimos não costumam ser bem-vindos.

*Guilherme Coutinho é jornalista, publicitário e especialista em Direito Público. Autor do blog Nitroglicerina Política.
Fonte: Site Brasil 247