Gilmar Santos (PT) critica postura autoritária do Governo Municipal durante o Grito dos Excluídos e chama atenção sobre situação social do país e alto índice de suicídio

Ao enfatizar a importância da manifestação, o parlamentar destacou a grave crise social do país e cobrou a ampliação e efetividade dos serviços públicos de saúde mental no município de Petrolina

Durante seu pronunciamento na sessão plenária desta terça-feira (10), o vereador professor Gilmar Santos (PT) falou sobre a importância do Grito dos Excluídos — movimento oriundo das pastorais sociais da igreja católica e que reúne movimentos sociais e populares no Brasil desde 1995, na luta pela garantia de direitos –, e criticou a postura autoritária do Governo Municipal que, durante o ato em Petrolina, tentou silenciar  a manifestação no dia 07 de setembro ao autorizar o alto volume do som militar utilizado pela prefeitura durante o desfile oficial. Na ocasião, o vereador fez discurso em defesa dos manifestantes e solicitou do prefeito mais respeito com o ato pacífico da população.

Grito dos Excluídos, Petrolina-PE, 2019| Foto: Lizandra Martins

Ao enfatizar a importância do Grito dos Excluídos, o edil destacou a grave crise social do país, com o aumento do desemprego e da extrema pobreza. Além disso, por ocasião do Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, cobrou a ampliação e efetividade dos serviços públicos de saúde mental no município, principalmente nas periferias, pois, de acordo com dados de 2016 da Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 80% dos suicídios são reportados em nações de renda baixa ou média, e parte significativa dos casos ocorre em zonas distantes dos grandes centros, atingindo principalmente a população negra e indígena.

“A profunda desigualdade social do nosso país atinge principalmente as populações mais empobrecidas, negligenciadas e violentadas pela sociedade e pelo Estado. O nosso povo negro, principalmente nas zonas urbanas, é o que mais apresenta índices crescentes de suicídio. Não podemos esquecer também que os nossos indígenas lideram números mundiais sobre o assunto. Agora com o atual governo que tem forte disposição em destruir a Amazônia e outras áreas ambientais, esses números podem aumentar. Precisamos afirmar uma rede de solidariedade, mas, principalmente, de políticas públicas de proteção à vida, e à dignidade humana”, salientou Gilmar.

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Vereador professor Gilmar Santos (PT) volta a cobrar do executivo políticas públicas para crianças e adolescentes

“Em menos de um mês nós tivemos quatro crianças barbaramente assassinadas e não é possível que essa câmara não assuma junto à gestão municipal uma grande mobilização para que a gente impeça não apenas a violência contra as crianças, mas o avanço da violência como um todo”

Foto: Hyarlla Wany

Depois do caso dos irmãos Gustavo (13 anos) e Manuel (10 anos) que foram brutalmente assassinados em Petrolina, foram registrados mais dois casos de homicídio na cidade. No último sábado (13) a polícia registrou o caso de João Vitor do Nascimento, de 14 anos, que foi morto a golpes de facão no distrito de Izacolândia. Ontem (15), Pablo César da Silva Santos, de apenas 10 anos, foi executado a tiros dentro de sua própria casa, no residencial Nova Petrolina. Quatro crianças assassinadas em menos de um mês e nenhum posicionamento do governo municipal, Novo Tempo.

O vereador professor Gilmar Santos (PT), que é presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Casa Plínio Amorim, voltou a cobrar do executivo a efetividade de políticas públicas voltadas para crianças e adolescentes. Há mais de um ano o parlamentar vem exigindo a reestruturação dos Conselhos da Juventude, Cultura e Educação, pois, sem os mesmos não há debate sobre políticas para proteção de direitos da juventude, assim como geração de oportunidades.

Segundo Gilmar, o governo municipal e a câmara não fazem esforços para mudar essa realidade e essa negligência é corresponsável por tantas violências que vem acontecendo no município. “Em menos de um mês nós tivemos quatro crianças barbaramente assassinadas e não é possível que essa câmara não assuma junto à gestão municipal uma grande mobilização para que a gente impeça não apenas a violência contra as crianças, mas o avanço da violência como um todo (…) Eu vejo que essa câmara para quando morrem algumas pessoas… Cada vereador quer fazer uma mensagem sobre essa pessoa que morreu, mas a gente não sentiu essa comoção profunda quando aqueles dois jovens foram executados e quando essas crianças são executadas agora” disse.

Além disso, o edil disse que muitos culpabilizam as próprias vítimas e a família pelos crimes, quando na verdade a responsabilidade é de toda a sociedade, principalmente do poder público, que negligencia as políticas públicas de defesa dos direitos de crianças e adolescentes, como por exemplo o abandono da Praça da Juventude, no Bairro João de Deus.

Mais uma vez, o parlamentar que junto ao Fórum Permanente de Articulação sobre Direitos Humanos da Criança e do Adolescente vem construindo uma agenda propositiva de monitoramento de políticas públicas voltadas ao público infanto-juvenil, colocou a comissão de direitos humanos e cidadania a disposição das famílias das vítimas.

“A comissão de direitos humanos vai mais uma vez tomar iniciativa de denunciar, chamar atenção sobre essas violências que vem tomando conta do nosso município, e fazer o acompanhamento dessas famílias”.

“Eram duas crianças que estavam precisando não de serem assassinadas, mas de políticas públicas para a juventude”

“Tio dos irmãos Gustavo Vitor e Manuel Carlos, assassinados em Petrolina,  participou da sessão ordinária dessa quinta-feira (04) e ressaltou a importância da efetividade de políticas públicas voltadas para a juventude e a diferença que essas teriam feito na vida de seus sobrinhos”

Foto: Hyarlla Wany

A sessão ordinária desta quinta-feira (04) contou com a participação de Wanderson Luiz do Santos, tio dos irmãos Gustavo Vitor Souza dos Santos (13 anos) e Manuel Carlos Souza dos Santos (11 anos), que foram brutalmente assassinadas em Petrolina no último final de semana.

Wanderson havia solicitado ajuda aos vereadores Gilmar Santos (PT) e Paulo Valgueiro (MDB), presidente e relator, respectivamente, da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania, para expor a fragilidade da família e fazer um apelo aos políticos locais e aos órgãos públicos de segurança e cuidado com crianças e adolescentes.

Durante a sessão, ele compartilhou sua experiência de vida e ressaltou a importância da efetividade de políticas públicas voltadas para a juventude e a diferença que essas teriam feito na vida dos sobrinhos. “Eram duas crianças que estavam precisando não de serem assassinadas, mas de políticas públicas para a juventude (…) a política pública é que faz a motivação de qualquer homem” disse e complementou “Cadê as políticas públicas pra essa juventude que está aí? Cadê as políticas públicas para as crianças? Até quando o conselho municipal de juventude de Petrolina que beneficiava 200 crianças por dia vai ficar fechado? O que é que está acontecendo? Até quando o sangue dos filhos dos pobres vai se derramar sobre essa terra?”.

Na oportunidade, Wanderson também comentou que por muitas vezes o Conselho Tutelar e o CAPS foram procurados para acolher os meninos, mas que em nenhum momento houve retorno e que foi esse descaso, junto ao dos políticos que só procuram os pobres em tempo de eleição, que executou os meninos. “Quem matou essas crianças foi Petrolina. Porque se Petrolina tivesse internado essas crianças, agora elas poderiam estar vivas, poderiam ser uma superação de vida como eu sou hoje”.

Foto: Camila Rodrigues

O vereador Gilmar Santos disse que desde 2016 o Conselho Tutelar vem recebendo denúncias de que essas crianças estavam fazendo uso de drogas e que estavam sendo negligenciadas pelos pais e apresentou na Casa os relatórios que comprovam sua fala. Afirmou ainda que a maior negligência nesse caso partiu do poder público que não assumiu a sua responsabilidade para com essas crianças. Na oportunidade também lembrou que desde 2016 o juiz da vara da infância, Marcos Bacelar, junto à comunidade, espera a construção do centro de acolhimento para pessoas crianças, adolescentes e adultos dependentes de psicoativos.

“Quando a gente pensa nesse tipo de violência, muitas vezes se acusa as crianças e os adolescentes, se acusa o pai e a mãe de negligência, mas nem sempre se faz a reflexão crítica sobre o papel do Estado, o papel dos órgãos que deveriam pegar o dinheiro da população e investir em ações para evitar crimes, para evitar essa violência que nos causa um verdadeiro repúdio diante de tamanha barbaridade” disse.

O parlamentar que há mais de um ano vem cobrando a reativação dos conselhos de Juventude e de Educação, afirmou que o governo municipal e a câmara não fazem esforços para mudar essa realidade e que esse descuido é corresponsável por essa tragédia.

“Sem Conselho da Juventude, não se aprofunda a discussão de políticas de proteção para a nossa juventude. Nós não vamos dizer que o governo municipal é culpado direto pela morte dessas crianças, seria uma injustiça, mas ele é corresponsável pela negligência diante dessa situação (…) assim como é corresponsável pelo Conselho da Educação, que há quase dois anos não funciona em Petrolina, e sem conselho não tem qualidade na política de educação. O prefeito sabe disso, o secretário sabe disso, a câmara sabe disso. Nós estamos exigindo constantemente política de cultura, política de esporte, para que o prefeito pegue os milhões do São João e invista em cultura, teatro, música, dança, escola permanente de esportes nas nossas periferias”.

Por fim, Gilmar que apresentou uma moção de pesar aos familiares das vítimas na última terça-feira (02), reforçou hoje o compromisso da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania no monitoramento das políticas públicas voltadas para esse seguimento social através de uma agenda pensada junto ao Fórum Permanente Intersetorial de Direitos de Crianças e Adolescentes.

 

Da assessoria

Comissão de Direitos Humanos e Cidadania propõe construção de agenda para monitorar políticas públicas voltadas para crianças e adolescentes em Petrolina

Reunião aconteceu na última segunda (01) na Casa Plínio Amorim

Foto: Hyarlla Wany

O Fórum Permanente de Articulação sobre Direitos Humanos da Criança e do Adolescente se reúne mais uma vez com o objetivo de preparar um grande evento que deverá discutir políticas públicas voltadas ao público infanto-juvenil.
Representantes de sete entidades civis estiveram na tarde da última segunda-feira (01) na Câmara de Vereadores de Petrolina junto a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Casa e a Vara da Infância e Juventude para discutir a pauta do Fórum.
Na oportunidade, os presentes voltaram a debater sobre o funcionamento das entidades de assistência social voltadas as crianças e aos adolescentes no município, como o Centro POP, Creas, Cras, Conselho Tutelar, entre outros, e o vereador Gilmar Santos, que preside a Comissão da Casa Plínio Amorim, cobrou do Executivo Municipal, atuação dos órgãos públicos municipais.
A Comissão também levantou a necessidade de se construir uma agenda para monitorar políticas públicas voltas para esse seguimento social em Petrolina.
Esta é a 5ª reunião para a construção da Agenda do Fórum, com a participação da Comissão DHC, que tem como membros os vereadores Gilmar Santos (Presidente); Paulo Valgueiro(Relator); Osinaldo Santos (Secretário) e Maria Elena Alencar (Suplente).
Fonte: Bancada de oposição

Mandato Coletivo participa de pré-conferência estadual de cultura do Sertão do São Francisco em Petrolina

Aconteceu na última quinta-feira, 28, a pré-conferência de cultura do Sertão do São Francisco, em Petrolina, onde reuniu 7 municípios da região. Artistas, produtores culturais, sociedade civil organizada e membros do poder público reuniram-se a fim de analisar e elaborar proposições para a redação da 1ª minuta de Plano Estadual de Cultura e eleger os delegados que representação a região na IV Conferência Estadual de Cultura de Pernambuco, onde será feita uma 2ª minuta do plano.

O Plano Estadual de Cultura será formatado pela comissão organizadora do da Conferência Estadual de Cultura a partir dos textos da minuta elaborada na IV Conferência Estadual de Cultura, depois o texto deve ser homologado pelo CECP – Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco. Em seguida, o Plano Estadual de Cultura segue para a Alepe – Assembléia Legislativa de Pernambuco, onde tramitará até que, enfim, se torne lei.

O Mandato Coletivo, através das presenças do vereador Gilmar Santos e sua equipe, participaram das discussões, reafirmando seu compromisso com a construção das políticas públicas para cultura no município. O Plano de Cultura uma exigência para que tanto estados como municípios possam participar e receber recursos do SNC- Sistema Nacional de Cultura. Sistema Nacional de Cultura é formado por um conjunto de leis, normas e procedimentos pactuados entre os entes federativos – União, Estados e Municípios – e a sociedade civil e para participar cada ente deve elaborar o seu próprio sistema através da criação do chamado CPF da cultura – Conselho, Plano e Fundo.

A pauta da regionalização de recursos públicos para que se contemple as 12 regiões de desenvolvimento do estado de modo equânime continuou sendo a pauta principal para os artistas e produtores locais, pois a centralização das políticas do Estado na região metropolitana ainda é notória, o que promove grande precariedade na democratização da produção e fruição dos bens culturais de Pernambuco. Uma luta antiga dos artistas e produtores petrolinenses e de todo sertão, essa reivindicação se faz presente nos objetivos e estratégias da minuta do plano, espera-se com isso que o processo de interiorização das ações da Fundarpe e da Secretaria de Cultura do Estado se intensifiquem, compreendendo a cultura pernambucana e as expressões de todo seu território no desenvolvimento das políticas públicas.